Gravador em riste ou
empunhando um bloquinho de papel, cenho crispado (para esboçar credibilidade) e...
“click”: lá está, diante da fonte, o sujeito que, pago para passar a
informação, imagina-se mais importante que a notícia.
Não sei se a "moda" nasceu na Bahia. Só sei que agora
é praxe, em alguns sites, repórter sair na foto com o entrevistado. Quá!
"Pode isso, Arnaldo?", indagaria, estupefato, um indigesto
comentarista global.
A julgar pelo provérbio “mangaberiano”, de que todo absurdo tem
precedente nessas plagas, não duvido, porém, que aqui tenha
"estreado" um novo gênero jornalístico. E, se confirmada, a novidade
certamente abalaria as estruturas do jornalismo "Gonzo", de Hunter
Thompson, ou tiraria o sono de Gay Talese, “papa” do “New Journalism”.
Bem... não precisa ser jornalista para perceber que muitos de
nós, profissionais mal remunerados e mal um bocado de coisas, somos um tanto
vaidosos e cheios de empáfia - mesmo sabendo que o "glamour" da
profissão é a quimera dos incautos que decidem enveredar por esse sôfrego
caminho.
São idiossincrasias que, a meu ver, até fazem parte do ofício.
Talvez intrínsecas à natureza de quem lida com a escrita em geral; de que tem a
“pena” na mão.
É a vaidade do repórter que quer a matéria na capa do jornal no
dia seguinte. O ciúme besta porque “enxugaram meu texto" na hora da
edição. É aquela reportagem “bem apurada” que virou uma nota fajuta por causa
do anúncio de última hora.
É também o esmero do escritor que passa anos para lançar uma biografia
farta em detalhes... entre outras esquisitices que nos inflam o ego mundo
afora. Manias até certo ponto aceitáveis, das quais, não vou mentir, já fui
vítima algum dia. Sem exageros, pois.
Mas é bom abrir os olhos, colegas de Redação! No jornalismo, o
que deve prevalecer é a notícia. Sempre.
O sergipano Joel Silveira, “o maior repórter brasileiro” e
ícone do “jornalismo autoral”, um dia nos ensinou:
- Jornalista é pra ver a banda passar, e não fazer parte da
banda!
Ele sabia das coisas.


