quarta-feira, 16 de maio de 2012

Armazém Espanha deixará órfãos


Os frequentadores do casarão número 38 da Rua General Labatut, no bairro dos Barris, correm o risco de ficar “órfãos” caso Seu Zé leve adiante o plano de fechar o lendário botequim que, pelas suas contas, funciona no local há 64 anos. Para ser mais preciso, desde o dia “13 de janeiro de 1948”, diz o ora simpático, ora sisudo, senhor de cabelos alvos do alto de seus 80 anos.
Mais conhecido como Armazém Espanha, referência à nacionalidade do dono, o espaço é uma herança do pai dele, que comercializava de tudo um pouco noutros tempos.
Baixinho, o fiel escudeiro de Seu Zé, é testemunha ocular da trajetória do Espanha. Começou a trabalhar com ele 42 anos atrás. O apelido, obviamente, ganhou da clientela devido à sua pouca estatura. Décadas de balcão, Baixinho, cujo nome de batismo é Raimundo, conta que nessa caminhada viu muita coisa mudar no entorno.
Entre os assíduos do Espanha, jovens e senhores, boa parte mora na região. Um dos mais fiéis é o professor e crítico de cinema André Setaro, que, sempre acompanhado do sargento Romenil, reveza-se entre doses de Januária e Antarcticas canela de pedreiro.
Além dos preços bem modestos, o ambiente do Espanha é agradabilíssimo e convidativo para uma boa prosa. E sem qualquer inconveniência, claro! Rádio às alturas e som de carro, nem pensar.   
A cerva, acredito, é a mais barata da área. Varia de R$ 2,70 a R$ 3,50, a depender da marca. Lá, também é possível petiscar alguma coisa mesmo com pouca grana no bolso. Por apenas R$ 3, belisca-se 50g de salame ou 100g de queijo prato.
A notícia de que Seu Zé pode fechar as portas de um dos melhores santuários etílicos do centro da cidade, porém, pegou a todos de surpresa - inclusive estas Cartas de Balcão, que esteve no Espanha no dia 4 deste mês.
Indagado sobre os motivos que o levaram a dar tão triste rumo ao querido botequim, Seu Zé é lacônico: “Não vou morrer aqui”.
Resta-nos agora torcer para que ele mude de ideia.

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