sábado, 2 de fevereiro de 2013

Jornalista é pra ver a banda passar


Não sei se a "moda" nasceu na Bahia. Só sei que agora é praxe, em alguns sites, repórter sair na foto com o entrevistado. Quá! "Pode isso, Arnaldo?", indagaria, estupefato, um indigesto comentarista global.
A julgar pelo provérbio “mangaberiano”, de que todo absurdo tem precedente nessas plagas, não duvido, porém, que aqui tenha "estreado" um novo gênero jornalístico. E, se confirmada, a novidade certamente abalaria as estruturas do jornalismo "Gonzo", de Hunter Thompson, ou tiraria o sono de Gay Talese, “papa” do “New Journalism”.
Bem... não precisa ser jornalista para perceber que muitos de nós, profissionais mal remunerados e mal um bocado de coisas, somos um tanto vaidosos e cheios de empáfia - mesmo sabendo que o "glamour" da profissão é a quimera dos incautos que decidem enveredar por esse sôfrego caminho.
São idiossincrasias que, a meu ver, até fazem parte do ofício. Talvez intrínsecas à natureza de quem lida com a escrita em geral; de que tem a “pena” na mão.
É a vaidade do repórter que quer a matéria na capa do jornal no dia seguinte. O ciúme besta porque “enxugaram meu texto" na hora da edição. É aquela reportagem “bem apurada” que virou uma nota fajuta por causa do anúncio de última hora.
É também o esmero do escritor que passa anos para lançar uma biografia farta em detalhes... entre outras esquisitices que nos inflam o ego mundo afora. Manias até certo ponto aceitáveis, das quais, não vou mentir, já fui vítima algum dia. Sem exageros, pois.
Mas é bom abrir os olhos, colegas de Redação! No jornalismo, o que deve prevalecer é a notícia. Sempre.
O sergipano Joel Silveira, “o maior repórter brasileiro” e ícone do “jornalismo autoral”, um dia nos ensinou:
- Jornalista é pra ver a banda passar, e não fazer parte da banda!
Ele sabia das coisas.

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