Entre doses generosas de cachaça, cervejas e tira-gostos, fiéis armazenistas celebraram, na tarde de ontem, uma sexta-feira de céu cinzento na província soteropolitana, um encontro retumbante no Armazém Espanha, prestes a fechar as portas após 64 anos de atividade.
Estiveram presentes velhos e novos frequentadores, que, na iminência da tragédia que se desenha, já se inundam em saudades do melhor reduto etílico dos Barris.
O professor André Setaro, cinéfilo e decano do Espanha, chegou estrategicamente três minutos antes do combinado, às 14h57. Isto para sentar-se num canto preferido, ao lado de uma mesa redonda, batizada carinhosamente de "ofertório".

Com ele chegou o sargento Romenil, outro personagem assíduo na trajetória do "santuário". E, como prometera às vésperas do evento, trouxe consigo dúzias de cajus, para temperar as Januárias caprichosamente preparadas por Baixinho.
Também passaram por lá Alex Rolim e Claudio Leal, jovens jornalistas e testemunhas do prestígio de que sempre gozou o Armazém Espanha.
Fidedigno ao horário de fechamento do estabelecimento, pontualmente às 21h, Seu Zé, casmurro habitué, ontem, porém, surpreendeu a todos: permitiu, excepcionalmente, que déssemos uma esticadinha até pouco mais das 22h. Foi o último ato.
